Memorial do Convento ( Resumo por capítulos )
Memorial do Convento
Resumo
- Memorial do Convento evoca a História portuguesa do reinado de D. João V. no século XVIII, procurando uma ponte com as situações políticas de meados do século XX.
- Durante o reinado de D. João V, o rigor e as perseguições do Santo Oficio aumentam com vítimas que tanto podem ser cristãos-novos como todos os considerados culpados de heresias, por se associarem a práticas mágicas ou de superstição.
- Memorial do Convento caracteriza uma época de excessos e diferenças sociais, que se mantêm na actualidade: opulência/miséria; poder/opressão; devassidão/penitência; sagrado/profano; amor ausente/amor sincero…
- Memorial do Convento é uma narrativa histórica que entrelaça personagens e acontecimentos verídicos com seres conseguidos pela ficção.
- Romance histórico, oferece-nos uma minuciosa descrição da sociedade portuguesa no início do século XVIII; romance social, dentro da linha neo-realista, preocupa-se com a realidade social, em que sobressai o operariado oprimido; romance de intervenção, visa denunciar a história repressiva portuguesa na primeira metade do século XX; romance de espaço, representa uma época, interessando-se por traduzir não apenas o ambiente histórico, mas também vários quadros sociais que permitem um melhor conhecimento do ser humano.
- Existem duas linhas condutoras da acção: a construção do convento de Mafra e as relações entre Baltazar e Blimunda.
- A acção principal é a construção do convento de Mafra, que entrelaça o desejo megalómano do rei com o sofrimento do povo.
- Paralelamente à acção principal, encontra-se uma acção que envolve Baltazar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas, numa história de espiritualidade, de ternura, de misticismo e de magia.
- As duas acções, que se encaixam, sugerem uma profunda humanidade trágica.
- Os espaços físicos e sociais privilegiados são Lisboa e Mafra.
- As personagens servem a própria intenção do autor na necessidade de repensar os acontecimentos e as figuras históricas à luz de uma nova realidade criada no presente e pressentida no futuro.
- As personagens femininas adquirem, na obra, claro relevo: D. Maria Ana é a rainha triste e insatisfeita, que vive um casamento de aparecia e com escrúpulos morais nas relações sexuais e nos sonhos; Blimunda é a mulher com capacidades de vidente e possuidora de uma sabedoria muito própria, cheia de sensualidade e amor verdadeiro.
- Saramago rejeita a omnipotência do narrador, na medida em que considera que o é o autor que põe em causa o presente que conhece e o passado que lhe chega através das suas investigações. Para Saramago a omnipotência do narrador é pura ficção.
- Uma voz narrativa controla a acção narrada, as motivações e os pensamentos das personagens, mas faz também as suas reflexões e juízos valorativos.
- A historia torna-se matéria simbólica para reflectir sobre o presente, na perspective da denuncia e dela extrair uma moralidade que sirva para o futuro.
- Observando Memorial do Convento, julgamos que a escrita saramaguiana persegue uma preocupação com o ser humano, a sua miséria e a sua luta, as injustiças e os seus anseios, a sua grandeza e os seus limites.
- Em Memorial do Convento há, diversas vezes, um discurso de sobreposições narrativas com uma voz que tanto descreve como desconstrói as situações, que dialoga com o narratário ou manuseia as personagens como títeres, que domina os conhecimentos da historia ou se sente limitado, que faz ponderações ou ironiza.
Classificação (tipo de romance)
Romance histórico, social e de espaço que articula o plano da história com o plano do fantástico e da ficção.
O título sugere memórias de um passado delimitado pela construção do convento de Mafra e memórias do que de grandioso e trágico tem o símbolo do país.
Como ROMANCE HISTÓRICO, oferece-nos: uma minuciosa descrição da sociedade portuguesa da época, a sumptuosidade da corte, a exploração dos operários, referências à Guerra da Sucessão, autos-de-fé, construção do convento, construção da passarola pelo Padre Bartolomeu de Gusmão.
Como ROMANCE SOCIAL, é crónica de costumes.
Como ROMANCE DE INTERVENÇÃO, pois apresenta-nos a história repressiva portuguesa.
Categorias da Narrativa
Acção
- O rei D. João V, Baltasar, Blimunda e o padre Bartolomeu de Gusmão protagonizam as diversas acções que se entretecem em Memorial do Convento.
- A acção principal é a construção do Convento de Mafra: entrelaçamento de dados históricos com a promessa de D. João V e o sofrimento do povo que trabalhou no Convento.
- Conhece-se a situação económica e social do país, os autos-de-fé praticados pela Inquisição, o sonho e a construção da passarola, as criticas ao comportamento do clero.
- Paralelamente à acção principal, encontra-se uma acção que envolve Baltasar e Blimunda: fio condutor da intriga e que lhe conferem fragmentos de espiritualidade, de ternura, de misticismo e de magia.
Espaço
- Físico: dois dos espaços físicos onde se desenrola a acção são:
v Lisboa – espaço fulcral onde se destacam outros micro espaços:
- Terreiro do Paço: local onde Baltasar trabalha num açougue, após a sua chegada a Lisboa. É onde decorre a procissão do Corpo de Deus.
- Rossio: aparece no início da obra como o local onde decorrem o auto de fé e a procissão do Corpo de Deus.
- As ruas da capital: espaço onde o povo oprimido e ignorante sofre e, paradoxalmente vibra com as desgraças dos seus iguais e onde vive as principais celebrações do calendário religioso.
- S. Sebastião da Pedreira: espaço escolhido para a construção da passarola; é o único espaço que escapa ao poder opressor da igreja e à rígida hierarquia social da época.
v Mafra: espaço escolhido para a construção do Convento, particularmente Vela, que deu lugar à Vila Nova, à volta do edifício. Nos arredores da obra surge a “ilha madeira” – local onde se alojam os trabalhadores.
- Social:é relatado através de determinados momentos e do percurso de personagens que tipificam um determinado grupo social, caracterizando-o. A nível da construção social destaca-se os seguintes momentos:
- Procissão da Quaresma
- Excessos praticados durante o Entrudo (satisfação dos prazeres carnais) e brincadeiras carnavalescas – as pessoas comiam e bebiam demasiado, atiravam água à cara umas das outras, batiam nas mais desprevenidas, tocavam gaitas, espojavam-se nas ruas.
- Penitencia física e mortificação da alma após os desregramentos durante o Entrudo.
- Descrição da procissão
- Manifestações de fé que tocavam a histeria enquanto o bispo faz sinais da cruz e um acólito balança o incensório; os penitentes recorrem à autoflagelaçao.
Visão do narrador:
O narrador afirma que apesar da tentativa de purificação através do incenso, Lisboa permanecia uma cidade suja, caótica e as suas gentes eram dominadas pela hipocrisia.
- Autos de fé
- O Rossio está novamente cheio de gente: a população esta duplamente em festa, porque é domingo e porque vai assistir a um auto-de-fé.
- A assistência feminina, à janela exibe-se e preocupa-se com pormenores fúteis relativos à sua aparência física, e aproveita a ocasião para se entregar a jogos de sedução.
- A proximidade coma morte dos condenados constitui o motivo do ambiente de festa.
- Inicio da relação entre Baltasar e Blimunda
- Punição dos condenados pelo Santo Oficio – o povo dança em frente das fogueiras.
Visão do narrador:
O narrador revela a sua dificuldade em perceber se o povo gosta mais de autos-de-fé ou de touradas, evidenciando de forma irónica o gosto sanguinário e procura nas emoções fortes uma forma de preencher o vazio da sua existência que o povo releva.
- Tourada
Visão do narrador:
O espectáculo começa e o narrador enfatiza a forma como os touros são torturados: exibição do sangue, das feridas, das tripas em publico;
A sua ironia é ainda traduzida pela constatação de que, em Lisboa, as pessoas não estranham o cheiro a carne queimada, acrescentando numa perspectiva crítica que a morte dos judeus é positiva, pois os seus bens são deixados à Coroa.
- Procissão do Corpo de Deus
Preparação da procissão:
- O povo sente-se maravilhado com a riqueza da decoração.
- As damas aparecem às janelas, exibindo penteados.
- À noite, passam pessoas que tocam e dançam, improvisa-se uma tourada.
- Durante a madrugada reúnem-se aqueles que formarão a procissão.
Realização da procissão:
- O evento começa de manhã cedo
- Descrição do aparato: à frente as bandeiras, seguidas dos tambores, trombeteiros, as irmandades, o estandarte do Santíssimo Sacramento, as comunidades e o rei, atrás Cristo crucificado e hinos sacros.
Visão do narrador:
- Censura o luxo da igreja e do rei
- Histeria colectiva das pessoas que se batem a si próprias e aos outros como manifestação da sua condição de pecadores.
Síntese (Procissão da Quaresma, Autos-de-fé e Procissão do Corpo de Deus)
- As procissões e os autos de fé caracterizam Lisboa como um espaço caótico, dominado por rituais religiosos cujo efeito exorcizante esconjura um mal momentâneo que motiva a exaltação absurda que envolve os habitantes.
- A desmistificação dos dogmas e acrítica irónica do narrador ao clero subjazem ao ideário marxista que condena visão redutora do mundo que a igreja apresenta, que condiciona os comportamentos, manipula os sentimentos e conduz os fiéis a atitudes estereotipadas.
- A violência das touradas ou dos autos de fé apraz ao povo que, obscuro e ignorante, se diverte sensualmente com as imagens de morte, esquecendo a miséria em que vive.
- O trabalho do Povo no Convento
- Mafra simboliza o espaço de servidão desumana a que D. João V sujeitou todos os seus súbditos para alimentar a sua vaidade.
- Vivendo em condições deploráveis, os trabalhadores foram obrigados a abandonar as suas casa e a erigir o convento para cumprir a promessa do seu rei e aumentar a sua glória.
Tempo
Personagens
Estrutura
Capítulo I
- Anúncio da ida de D. João V ao quarto da rainha.
- Desejo de D. Maria Ana: satisfazer o desejo do rei de ter um herdeiro para o reino.
- Passatempo do rei: construção, em miniatura, da Basílica de S. Pedro de Roma.
- Premonição de um franciscano: o rei terá um filho se erguer um convento franciscano em Mafra.
- Promessa do rei: mandar construir um convento se a rainha lhe der um filho no prazo de um ano.
- Chegada do Rei ao quarto da rainha, decidido a ver cumprida a promessa feita a Frei António de S. José.
Capítulo II
- Referência a milagres franciscanos que auguram a promessa real: história de Frei Miguel da Anunciação (o corpo que não corrompia e os milagres); história de Sto. António (seus milagres e castigos); os precedentes franciscanos.
- Visão crítica do narrador face às promessas e milagres dos franciscanos: o mundo marcado por excesso de riqueza e extrema pobreza.
Capítulo III
- Reflexões sobre Lisboa: condições de vida; visão abjecta da cidade no Entrudo; crítica a hábitos religiosos, à procissão da penitência, à Quaresma.
- O estado de gravidez da rainha (da condição de mulher comum à sua infinita religiosidade).
- O sonho da rainha com o cunhado (tópico da traição).
Capítulo IV
- Apresentação de Baltasar Mateus: Sete-Sóis, 26 anos, natural de Mafra, maneta à esquerda, na sequência da Batalha de Jerez de los Caballeros (Espanha).
- Estada em Évora, onde pede esmola para pagar um gancho de ferro e poder substituir a mão
- Percurso até Lisboa, onde vive muitas dificuldades.
- Indecisão de Baltasar: regressar a Mafra ou dirigir-se ao Terreiro do Paço (Lisboa) e pedir dinheiro pela mutilação na guerra.
- Encontro de Baltasar Sete-Sóis com um amigo, antigo soldado: João Elvas.
- Referências ao crime na cidade lisboeta e ao Limoeiro.
Capítulo V
- Fragilidade de D. Maria Ana, com a gravidez e com a morte do seu irmão José (imperador da Áustria).
- Apresentação de Sebastiana Maria de Jesus, mãe de Blimunda (Sete Luas) – condenada ao degredo (Angola), por ter visões e revelações.
- Espectáculo do auto de fé assistido por Blimunda, na companhia do padre Bartolomeu Lourenço.
- Proximidade de Baltasar Mateus (Sete-Sóis), que trava conhecimento com Blimunda assim que esta lhe pergunta o nome.
- Paixão de Baltasar pelos olhos de Blimunda.
- União de Bartolomeu Lourenço, Blimunda e Baltasar, após o auto de fé, tendo o ex-soldado acompanhado o padre e Blimunda a casa desta, onde comeram uma sopa.
- Apresentação de Blimunda como vidente (quando está em jejum vê as pessoas “por dentro”).
- Consumação do amor de Baltasar e Blimunda (19 anos, virgem), com esta a prometer que nunca o olhará por dentro.
Capítulo VI
- Visão crítica das leis comerciais.
- Narrativa de João Elvas, a Baltasar, sobre um suposto ataque dos franceses a Lisboa (que mais não era do que a chegada de uma frota com bacalhau).
- Conflito de Baltasar: saber a cor dos olhos de Blimunda.
- Deslocação do Padre Bartolomeu Lourenço ao Paço para interceder por Baltasar (a fim de este receber uma pensão de guerra) e compromisso de falar com o Rei, caso tarde a resposta.
- Apresentação, por João Elvas, de Bartolomeu Lourenço como o Voador (as diversas tentativas levadas a cabo pelo padre para voar, justificando-se, este, que a necessidade está na base das conquistas do homem; o conhecimento da mãe de Blimunda, dadas as visões que esta tinha de pessoas a voar).
- Questão de Baltasar ao padre: o facto de Blimunda comer pão, de manhã, antes de abrir os olhos.
- Apresentação da passarola a Baltasar, pelo Padre B. Lourenço (S. Sebastião da Pedreira).
- Descrição da passarola, a partir do desenho que o padre mostra a Baltasar.
- Convite do Padre para que Baltasar o ajude na construção da passarola.
Capítulo VII
- Trabalho de Baltasar num açougue.
- Evolução da gravidez da rainha, tendo o rei de se contentar com uma menina.
- Rendição das frotas portuguesas do Brasil aos franceses.
- Visita de Baltasar e Blimunda à zona enfeitada para o baptismo da princesa, estando aquele mais cansado do que habitualmente, por carregar tanta carne para o evento.
- Morte do frade que formulou a promessa real; fidelidade de D. João V à promessa.
Capítulo VIII
- Relação amorosa de Baltasar e Blimunda.
- Procura de Baltasar a propósito do misterioso acordar de Blimunda: esta conta-lhe que, em jejum, consegue ver o interior das pessoas; daí comer o pão ao acordar para não ver o interior de Baltasar.
- Indicação de Blimunda, a Baltasar, acerca do seu dom: vê o interior dos outros e “vê” a nova gravidez da rainha.
- Falha na obtenção da tença pedida ao Paço para Baltasar e despedimento do local onde este trabalhava (açougue).
- Nascimento do segundo filho do rei, o infante D. Pedro.
- Deslocação de El-rei a Mafra, para escolher a localização do convento (um alto a que chamam Vela).
Capítulo IX
- Auxílio de Baltasar ao padre Lourenço na construção da passarola, tendo-lhe este dado a chave da quinta do duque de Aveiro, onde se encontra a “máquina de voar”.
- Visita de Baltasar à quinta, acompanhado de Blimunda.
- Inspecção de Blimunda, em jejum, à máquina em construção para descobrir as suas fragilidades.
- Atribuição, pelo Padre B. Lourenço, dos apelidos de Sete-Sóis e Sete-Luas, respectivamente, a Baltasar e a Blimunda (ele vê “às claras” e ela “vê às escuras”).
- Deslocação do Padre à Holanda, para aprender com os alquimistas a fazer descer o éter das nuvens (necessário para fazer voar a passarola).
- Realização de novo auto-de-fé, mas Baltasar e Blimunda permanecemem S. Sebastiãoda Pedreira.
- Partida de Baltasar e Blimunda para Mafra e do padre para a Holanda, ficando aqueles responsáveis pela passarola.
- Ida à tourada, antes de Baltasar e Blimunda partirem de Lisboa.
Capítulo X
- Visita de Baltasar à família, com apresentação de Blimunda e explicação da perda da mão.
- Vivência conjunta e harmoniosa na família de Baltasar.
- Venda das terras do pai de Baltasar, por causa da construção do convento.
- Trabalho procurado por Baltasar.
- Comparação entre a morte e o funeral do filho de dois anos da irmã de Baltasar e a morte do infante D. Pedro.
- Nova gravidez da rainha, desta vez do futuro rei.
- Comparação dos encontros de Baltasar com Blimunda e do rei com a rainha.
- A frequência dos desmaios do rei e a preocupação da rainha.
- O desejo de D. Francisco, irmão do rei, casar com a rainha, à morte deste.
Capítulo XI
- Regresso de Bartolomeu Lourenço da Holanda, passados três anos, e o abandono da abegoaria (quinta de S. Sebastião da Pedreira).
- Constatação do padre de que Baltasar cuidara da passarola, conforme lhe havia pedido.
- Deslocação a Coimbra, passando por Mafra para saber de Baltasar e Blimunda.
- Reflexão sobre o papel que cada um tem na construção do futuro, não estando este apenas nas mãos de Deus.
- Atribuição de bênção a quem a pede, deparando o padre, no caminho para Mafra, com trabalhadores (comparados a formigas).
- Conversa do Padre com um pároco, ficando a saber que Baltasar e Blimunda casaram e onde vivem.
- Visita do padre ao casal de amigos e conversa sobre a passarola.
- Bartolomeu Lourenço na casa do padre Francisco Gonçalves, a pernoitar.
- Encontro de Blimunda e Baltasar com padre B. Lourenço, de manhã muito cedo, quando ela ainda está em jejum.
- Apresentação, a Baltasar e Blimunda, do resultado de aprendizagem do Padre na Holanda: o éter que fará voar a passarola vive dentro das pessoas (não é a alma dos mortos, mas a vontade dos vivos).
- Pedido de auxílio do Padre a Blimunda: ver a vontade dos homens (esta consegue ver a vontade do padre) e colhê-la num frasco.
- Deslocação de Bartolomeu Lourenço a Coimbra para aprofundar os seus estudos e se tornar doutor.
- Ida de Blimunda e Baltasar para Lisboa: ela, para recolher as vontades; ele, para construir a passarola.
Capítulo XII
- Tomada da hóstia, em jejum: Blimunda descobre que o que está dentro desta é o mesmo que está dentro do homem – a religião.
- Festividades da inauguração da construção do convento e do lançamento da primeira pedra (três dias), a ter lugar numa igreja–tenda ricamente decorada e com a presença de D. João V.
- Baltasar e Blimunda na inauguração.
- Passada uma semana, partida do casal para Lisboa.
Capítulo XIII
- Verificação de Baltasar relativamente ao estado enferrujado da máquina, seguida dos arranjos necessários e da construção de uma forja enquanto o padre não chega.
- Chegada do padre, dizendo a Blimunda que serão necessárias, pelo menos, duas mil vontades para a passarola voar (tendo ela apenas recolhido cerca de trinta).
- Conselho do Padre para que Blimunda recolha vontades na procissão do Corpo de Deus.
- Regresso do Padre a Coimbra para concluir os seus estudos.
- Trabalho de Baltasar e Blimunda na máquina, durante o Inverno e a Primavera, e chegada, por vezes, do padre com esferas de âmbar amarelo (que guardava numa arca).
- Perspectivas de a procissão do Corpo de Deus ser diferente do normal.
- Perda da capacidade visionária de Blimunda, com a chegada da lua nova.
- Saída da procissão (8 de Junho de 1719) – só no dia seguinte, com a mudança da lua, Blimunda recupera o seu poder.
Capítulo XIV
- Regresso do Padre Bartolomeu Lourenço de Coimbra, doutor em cânones.
- Novo estatuto do padre: fidalgo capelão do rei, vivendo nas varandas do Terreiro do Paço.
- Relação do padre com o rei: este apoia a aventura da passarola, exprimindo o desejo de voar nela.
- Lição de música (cravo) da infanta D. Maria Bárbara (8 anos), sendo o seu professor o maestro Domenico Scarlatti.
- Conversa do padre com Scarlatti, depois da lição.
- Audição, em toda a Lisboa, de Scarlatti a tocar cravo, em privado.
- Scarlattiem S. Sebastiãoda Pedreira, a convite de Bartolomeu Lourenço (após dez anos de Baltasar e Blimunda terem entrado na quinta).
- Apresentação a Scarlatti do casal e da máquina de voar.
- Convite a Scarlatti para visitar a quinta sempre que quiser.
- Ensaio do sermão de Bartolomeu Lourenço para o Corpo de Deus (tema: Et ego in illo).
Capítulo XV
- Censura do sermão de Bartolomeu Lourenço por um consultor do Santo Ofício.
- S. Sebastião da Pedreira recebe o cravo de Scarlatti.
- Vontade de Scarlatti voar na passarola e tocar no céu.
- Ida de Baltasar e Blimunda a Lisboa (dominada pela peste), à procura de vontades.
- Doença estranha de Blimunda, após a recolha de duas mil vontades.
- Apoio de Baltasar e recuperação de Blimunda após audição da música de Scarlatti.
- Encontro do casal com o padre Bartolomeu Lourenço.
- Remorsos de Bartolomeu Lourenço por ter colocado Blimunda em perigo de vida.
- Vontade de Bartolomeu Lourenço informar o rei de que a máquina está pronta, não sem a experimentar primeiro.
Capítulo XVI
- Reflexão sobre o valor da justiça.
- Morte de D. Miguel, irmão do rei, devido a naufrágio.
- Necessidade de o Rei devolver a quinta de S. Sebastião da Pedreira ao Duque de Aveiro, após anos de discussão na Justiça.
- Vontade do Padre experimentar a máquina para, depois, a apresentar ao rei.
- Receio do Padre face ao Santo Ofício: o voo entendido como arte demoníaca.
- Fuga do Padre, procurado pela Inquisição, na passarola.
- Destruição da abegoaria para a passarola poder voar.
- Voo da máquina com o Padre, Baltasar e Blimunda e descrição de Lisboa vista do céu.
- Abandono do cravo num poço da quinta para Scarlatti não ser perseguido pelo Santo Ofício.
- Perseguição de Bartolomeu Lourenço pela Inquisição.
- Divisão de tarefas na passarola e preocupação do Padre: se faltar o vento a passarola começa a cair e o mesmo acontecerá quando o sol se puser.
- Visão de Mafra a partir do céu: a obra do convento, o mar.
- Cepticismo dos habitantes que vêem a passarola nos céus.
- Descida e pouso da passarola numa espécie de serra, com a chegada da noite.
- Tentativa de destruição da passarola, por Bartolomeu Lourenço (fogo), mas Baltasar e Blimunda impedem-no.
- Fuga do padre e camuflagem da máquina com ramos das moitas, na serra do Barregudo.
- Chegada de Baltasar e Blimunda, dois dias depois, a Mafra, fingindo que vêm de Lisboa.
- Procissão em Mafra em honra do Espírito Santo, que sobrevoou as obras da basílica (na perspectiva dos habitantes).
Capítulo XVII
- Trabalho procurado por Baltasar e Álvaro Diogo com a hipótese de ele trabalhar nas obras do convento.
- Baltasar na Ilha da Madeira, local de alojamento para os trabalhadores do convento.
- Descrição da vida nas barracas de madeira (mais de 200 homens que não são de Mafra).
- Verificação do atraso das obras (feita por Baltasar) – motivos: chuva e transporte dos materiais dificultam o avanço.
- Notícias de um terramoto em Lisboa.
- Regresso de Baltasar ao Monte Junto, onde se encontra a passarola.
- Visita de Scarlatti ao convento e encontro com Blimunda, sendo esta informada de que Bartolomeu de Gusmão morreu em Toledo, no dia do terramoto.
Capítulo XVIII
- Enumeração dos bens do Império de D. João V.
- Enumeração dos bens comprados para a construção do convento.
- Realização de uma missa numa capela situada entre o local do futuro convento e a Ilha da Madeira.
- Apresentação dos trabalhadores do convento e apresentação de Baltasar Mateus (já com 40 anos).
Capítulo XIX
- Os trabalhos de transporte de pedra-mãe (Benedictione).
- Mudança de serviço no trabalho de Baltasar: dos carros de mão à junta de bois.
- Notícia da necessidade de ir a Pêro Pinheiro buscar uma pedra enorme (Benedictione).
- Trabalho dos homens em época de calor e descrição da pedra.
- Ferimento de um homem (perda do pé) no transporte da pedra (“Nau da Índia”).
- Narrativa de Manuel Milho (história de uma rainha e de um ermitão).
- Segundo dia do transporte da pedra e retoma da narrativa de Manuel Milho.
- Chegada a Cheleiros e morte de Francisco Marques (atropelado pelo carro que transporta a pedra) bem como de dois bois.
- Velório do corpo do trabalhador.
- Manuel Milho retoma a narrativa.
- Missa e sermão de domingo.
- Final da história narrada por Manuel Milho.
- Chegada da pedra ao local da Basílica, após oito dias de percurso.
Capítulo XX
- Regresso de Baltasar, na Primavera, ao Monte Junto, depois de seis ou sete tentativas.
- Companhia de Blimunda, passados três anos da descida da passarola, nesse regresso.
- Confidência de Baltasar ao pai: o destino da sua viagem e o voo na passarola.
- Renovação da passarola graças à limpeza feita por Baltasar e Blimunda.
- Descida do casal a Mafra, localidade infestada por doenças venéreas.
- Morte do pai de Baltasar.
Capítulo XXI
- Auxílio desmotivado da Infanta D. Maria e do Infante D. José na construção da Basílica de S. Pedro (brinquedo de D. João V).
- Encomenda de D. João V ao arquitecto Ludovice para construir uma basílica como a de S. Pedro na corte portuguesa.
- Desencorajamento de Ludovice, convencendo o rei a construir um convento maior em Mafra.
- Conversa de D. João V com o guarda-livros sobre as finanças portuguesas e preparativos para o aumento da construção do convento em Mafra.
- Intimação de um maior número de trabalhadores para cumprimento da vontade real.
- O rei e o medo da morte (que o possa impedir de ver a obra final).
- Vontade de D. João V em sagrar a basílica no dia do seu aniversário, daí a dois anos (22/10/1730).
- Chegada de um maior número de trabalhadores a Mafra (500).
Capítulo XXII
- Casamento da Infanta Maria Bárbara com o príncipe D. Fernando de Castela e casamento do príncipe D. José com Mariana Vitória.
- Participação de João Elvas no cortejo real para encontro dos príncipes casadoiros.
- Partida do rei para Vendas Novas.
- Percurso do rei na direcção de Montemor.
- Trabalho de João Elvas no arranjo das ruas, após chuva torrencial, para que o carro da rainha e da princesa possa prosseguir para Montemor.
- Esforço dos homens para tirar o carro da rainha de um atoleiro.
- João Elvas recorda o companheiro Baltasar Mateus junto de Julião Mau-Tempo.
- Conversa destes e a suspeita de que Baltasar voou com Bartolomeu de Gusmão.
- Tempo chuvoso no percurso de Montemor a Évora.
- Lembrança da princesa de que desconhece o convento que se está a erguer em favor do seu nascimento, depois de ver homens presos a serem enviados para trabalhar em Mafra.
- Encontro do rei com a rainha e os infantes em Évora.
- Cortejo real dirigido para Elvas, oito dias após a partida de Lisboa para troca das princesas peninsulares.
- Reis de Espanha em Badajoz.
- Chegada do rei, da rainha e dos infantes ao Caia, a 19 de Janeiro.
- Cerimónia da troca das princesas peninsulares.
Capítulo XXIII
- Cortejo de estátuas de santos em Fanhões.
- Deslocação de noviços para Mafra nas vésperas de sagração do convento.
- Chegada dos noviços.
- Regresso de Baltasar a casa depois do trabalho.
- Ida de Baltasar e Blimunda ao local onde se encontram as estátuas.
- Apreensão de Blimunda ao saber que passados seis meses Baltasar vai ver a passarola.
- O casal no círculo das estátuas e reflexão sobre a vida e a morte.
- Despedida amorosa de Baltasar e Blimunda na barraca do quintal.
- Chegada de Baltasar à Serra do Barregudo.
- Entrada de Baltasar na passarola, seguida da queda deste e do voo da máquina.
Capítulo XXIV
- Espera de Blimunda e posterior busca de Baltasar.
- Entrada do rei em Mafra.
- Grito de Blimunda ao chegar ao Monte Junto, depois de descobrir que a passarola não se encontrava no local habitual.
- Encontro de Blimunda com um frade dominicano que a convida a recolher-se numa ruínas junto ao convento.
- Tentativa de violação de Blimunda pelo frade e morte deste com o espigão que ela lhe enterra entre as costelas.
- Blimunda faz o caminho de regresso a casa.
- A ansiedade de Blimunda depois de duas noites sem dormir.
- Final das festividades do dia, em Mafra.
- Informação de Álvaro Diogo sobre quem está para chegar a Mafra.
- Dia do aniversário do rei e da sagração da basílica.
- Cortejo assistido por Inês Antónia e Álvaro Diogo, acompanhados por Blimunda.
- Bênção do patriarca na Benedictione.
- Final do primeiro dos oito dias de sagração e saída de Blimunda para procurar Baltasar.
Capítulo XXV
- Procura de Baltasar por Blimunda ao longo de nove anos.
- Apelido de Blimunda: a voadora.
- Identificação de Blimunda com a terra onde ela permaneceu por largo tempo a ajudar os que dela se socorriam: Olhos de Água.
- Passagem de Blimunda por Mafra e tomada de conhecimento da morte de Álvaro Diogo.
- Sétima passagem desta por Lisboa.
- Encontro de Blimunda (em jejum) com Baltasar, que está a ser queimado num auto-de-fé, junto com António José da Silva (O Judeu), em 1739.
- Recolha da vontade de Baltasar por Blimunda.
Aspectos Símbolicos
Convento de Mafra
- Representa a ostentação régia e o místico religioso, mas também testemunha a dureza a que o povo está sujeito, a miséria em que vive, a exploração a que é sujeito apesar da riqueza do país.
Passarola voadora
- Simboliza a harmonia entre o sonho e a sua realização, o desejo de liberdade.
- Permitiu a união entre Bartolomeu Lourenço, Baltasar e Blimunda, que juntaram a ciência, o trabalho artesanal, a magia e a musica para construir e fazer voar a passarola.
- Símbolo de fraternidade e igualdade capaz de unir os homens cultos e os populares.
Blimunda
- Representa um elemento mágico difícil de explicar: possui poderes sobrenaturais que lhe permite compreender a vida, a morte, o pecado e o amor.
- Através de Blimunda o narrador tenta entrar dentro da história da época e denunciar a moral duvidosa, os excessos da corte, o materialismo e hipocrisia do clero, as perseguições i injustiças da inquisição, a miséria e diferenças sociais.
Número “sete”
- É o número de dias de cada ciclo lunar, que regula os ciclos de vida e da morte na Terra.
- Símbolo de sabedoria e de descanso no fim da criação.
Sete-Sóis / Sete-Luas
- O sete associa-se ao sol e à lua:
- O sol símbolo de vida, associa-se ao povo que trabalha incessantemente, como o próprio Baltasar, apesar de decepado.
- a lua não tem luz própria, depende do sol, tal como Blimunda depende de Baltasar. A lua atravessa fases, o que representa a periodicidade e a renovação.
Cobertor
- Símbolo de afastamento, da separação que marca o casamento de convivência entre o rei e a rainha.
- Liga-se à frieza do amor, à ausência do prazer, esconde desejos insatisfeitos.
Colher
- Símbolo de aliança, da “união de facto”, de compromisso sagrado.
Exprime o amor autêntico numa relação de paixão, a atracção erótica de um casal que se complementa sem precisar de reprimir o seu prazer.